Uma vida inteira pensando diferente: uma conversa sobre neurodivergência na terceira idade
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Na última sexta-feira, dia 10 de abril, tive a oportunidade de realizar uma palestra muito especial com um público que raramente participa desse tipo de discussão: pessoas da terceira idade.
Foi uma experiência emocionante e, ao mesmo tempo, desafiadora. Embora eu já tenha falado muitas vezes sobre neurodivergência em contextos acadêmicos, clínicos e educacionais, era a primeira vez que abordava esse tema com esse público. Isso exigiu um cuidado especial na forma de conduzir a conversa, porque, mais do que uma palestra, a proposta era criar um espaço de reflexão e escuta.
O encontro teve como tema “Uma vida inteira pensando diferente: neurodivergência na terceira idade”. Logo no início, compartilhei com o grupo uma ideia importante: não seria apenas uma palestra, mas uma conversa sobre como cada mente funciona de forma única .
Durante a conversa, falamos sobre o que significa neurodivergência: um conceito que se refere a formas diferentes de funcionamento do cérebro, que fazem parte da diversidade humana e não representam doença ou defeito .
Abordamos exemplos como autismo, TDAH, altas habilidades e sensibilidades sensoriais, explicando que muitas pessoas passaram grande parte da vida sem acesso a diagnóstico ou informações sobre essas características .
Esse ponto gerou momentos muito marcantes no encontro. Muitos participantes reconheceram em suas próprias histórias frases que, durante décadas, foram comuns: “Você é muito sensível.”“Você pensa demais.”“Você é distraído.”“Você precisa se esforçar mais.”
Essas falas, que muitas vezes pareciam apenas comentários cotidianos, revelam como, no passado, diferenças no modo de pensar, sentir ou perceber o mundo eram pouco compreendidas.
Conversamos também sobre como, durante muito tempo, crianças que hoje poderiam ser reconhecidas como neurodivergentes eram rotuladas apenas como tímidas, agitadas, distraídas ou “estranhas” . Naquela época, pouco se falava sobre saúde mental, diversidade neurológica ou avaliação especializada.
Um dos pontos mais bonitos da conversa foi perceber que nunca é tarde para compreender a própria história. Mesmo na terceira idade, entender que o cérebro pode funcionar de formas diferentes pode trazer alívio, autocompreensão e uma nova maneira de olhar para o passado .
Ao final do encontro, ficou uma mensagem que considero essencial:
cada cérebro é único, e muitas histórias de vida ganham novos significados quando passamos a entender isso.
Foi um encontro cheio de escuta, partilha e emoção. Uma experiência que certamente levarei comigo. Porque falar sobre neurodiversidade também é reconhecer que pensar diferente faz parte da diversidade humana.





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