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Mais um fim de semana de aulas na UNIPLAC

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Nos dias 26 e 27 de junho, tive a satisfação de ministrar a terceira e a quarta aula da disciplina Práticas Baseadas em Evidências Científicas da Neurodiversidade no Contexto Escolar, na Pós-Graduação em Neurodiversidade: Autismo, TDAH e Inclusão, da UNIPLAC. Nessas aulas, avançamos do conceito para a implementação prática, aprofundando diferentes Práticas Baseadas em Evidências (PBE) recomendadas internacionalmente para estudantes autistas.


Mais do que conhecer estratégias, o objetivo foi compreender como implementá-las com qualidade, respeitando o contexto escolar, as características individuais de cada estudante e os princípios da tomada de decisão baseada em evidências.


Da teoria para a prática

Ao longo dos encontros, discutimos que nenhuma prática produz resultados apenas por existir em um manual. Uma Prática Baseada em Evidências depende de planejamento, fidelidade de implementação, monitoramento contínuo e capacidade de adaptação ao contexto escolar.


Para tornar esse processo concreto, cada prática foi apresentada seguindo uma estrutura comum:

  • Fundamentos científicos;

  • Indicações de uso;

  • Passos para planejamento;

  • Formas de implementação;

  • Monitoramento dos resultados;

  • Exemplos reais do cotidiano escolar.


Essa organização permite que professores e demais profissionais compreendam não apenas o que fazer, mas principalmente como fazer.


As práticas estudadas

Durante as duas aulas, aprofundamos doze Práticas Baseadas em Evidências recomendadas pelo National Clearinghouse on Autism Evidence and Practice (NCAEP, 2020), discutindo suas aplicações em situações reais vivenciadas nas escolas.


Entre elas, exploramos: Análise de Tarefas; Intervenção Baseada no Antecedente; Prompting; Modelagem; Instrução e Intervenção Mediada por Tecnologia; Instrução e Intervenção Baseada em Pares; Intervenção Naturalística; Comunicação Aumentativa e Alternativa (CAA); Treino de Comunicação Funcional; Reforçamento; Reforçamento Diferencial; e Suportes Visuais.


Cada uma delas foi discutida a partir de estudos científicos atuais, dos módulos AFIRM e de exemplos práticos elaborados especificamente para o contexto escolar brasileiro.


Implementação exige reflexão

Um aspecto constantemente enfatizado durante as aulas foi que implementar uma PBE não significa aplicar uma técnica de maneira mecânica.


Por exemplo:

  • Dividir uma atividade em etapas não caracteriza, por si só, uma Análise de Tarefas;

  • Utilizar figuras não significa necessariamente utilizar Suportes Visuais de forma planejada;

  • Entregar um tablet ao estudante não caracteriza uma intervenção mediada por tecnologia.


A efetividade depende de objetivos claros, avaliação inicial, planejamento, coleta de dados e ajustes contínuos. Essa mudança de perspectiva é fundamental para aproximar a prática docente da produção científica.


O poder das práticas combinadas

Outro tema importante discutido foi que, no cotidiano escolar, as práticas dificilmente aparecem de forma isolada.


Na maioria das situações, o professor combina diferentes estratégias para responder às necessidades do estudante. Um suporte visual pode ser utilizado junto com prompting; uma intervenção naturalística pode incorporar modelagem; o treino de comunicação funcional pode utilizar recursos de comunicação aumentativa e alternativa e ser fortalecido por procedimentos de reforçamento.


Essa integração entre práticas torna a intervenção mais flexível e mais próxima da realidade encontrada nas escolas.


Ciência que dialoga com a escola

Talvez a principal mensagem dessas aulas seja que produzir uma educação inclusiva de qualidade não depende apenas de boa vontade. Depende de profissionais capazes de transformar evidências científicas em decisões pedagógicas conscientes.


Quando aproximamos pesquisa e prática, deixamos de atuar apenas pela experiência ou pela tentativa e erro. Passamos a construir intervenções planejadas, monitoradas e continuamente aperfeiçoadas.


Esse movimento fortalece não apenas o trabalho dos professores, mas principalmente o direito dos estudantes de receber apoios que realmente favoreçam sua participação, aprendizagem e autonomia.


Foi um fim de semana de muitas reflexões, estudos e excelentes discussões com uma turma extremamente participativa e comprometida. A cada encontro, reforço minha convicção de que aproximar a universidade da realidade das escolas é um dos caminhos mais promissores para transformar a educação inclusiva.


Meu agradecimento à UNIPLAC pela confiança e a todas as alunas pelas contribuições, perguntas e pelo compromisso em construir uma prática cada vez mais ética, crítica e fundamentada em evidências.



 
 
 

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