Formação que conecta ciência e prática
- há 3 dias
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Ontem tive a oportunidade de conduzir, junto com Dr. Carlo Schmidt e Dra. Jessica Oliveira, a 1ª Conferência: Práticas Pedagógicas com estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), realizada em Palmeira das Missões (UFSM), na modalidade on-line.
Três eixos que estruturam a prática com estudantes com TEA
A formação foi organizada em três pilares complementares:
1. Práticas Baseadas em Evidências (PBE) – com o Dr. Carlo Schmidt
Discutimos o que realmente caracteriza uma prática como baseada em evidência e o desafio central da área: sair da pesquisa e chegar na escola
Com destaque para:
Critérios atuais de qualificação das PBE
Evolução histórica das evidências
Necessidade de decisão individualizada (evidência + contexto + estudante)
2. Práticas Baseadas em Evidências na sala de aula – com a Ma. Mariele Finatto
Aqui entramos no campo da sala de aula.
Apresentei os resultados da minha pesquisa de mestrado e apresentei práticas com evidência para o contexto escolar, frutos da minha dissertação: Comunicação Alternativa e Aumentativa, Reforçamento, Promptings, Reforço Diferencial, Instrução e Intervenção Baseada em Pares, Suportes Visuais, Análise de Tarefas, Intervenção Naturalística, Instrução e Intervenção Assistida por Tecnologia, Modelagem, Intervenção Baseada no Antecedente e Treino de Comunicação Funcional.
E um ponto que muda o jogo: na prática, as intervenções não acontecem isoladas, elas são combinadas estrategicamente.
Ah, e lembrando: ser baseado em evidência não significa que funcionará para todos, assim como não ser baseado em evidência não quer dizer que não funcionará. No entanto, se temos práticas mais sólidas cientificamente, devemos utilizá-las.
3. Intervenção Implementada por Pais (IIP) – com a Dra. Jessica Oliveira
A discussão avançou para além da escola, trazendo a família como agente ativo do processo. E aqui a Dra. Jessica apresentou a sua pesquisa de mestrado e doutorado, sobre o implementação de IIP: uma em intervenção no contexto familiar, outra tendo o AEE como agente da IIP junto às famílias.
Resultados importantes apresentados:
Aumento de habilidades sociocomunicativas dos estudantes
Melhora nas estratégias parentais
Impacto direto na qualidade de vida familiar
E um insight poderoso: quando a família entra no processo, a intervenção deixa de ser pontual e passa a ser contínua.
O que ficou dessa experiência?
Mais do que conteúdos, a formação reforça um ponto que ainda é um gargalo no Brasil: não falta evidência, falta implementação com qualidade e fidelidade.
E isso exige:
Formação continuada
Alinhamento entre escola e família
E, principalmente, mudança de mentalidade
Se tivesse que resumir em uma frase: não é sobre conhecer estratégias, é sobre saber aplicá-las no contexto real do estudante.






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