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Aula 3 do curso: quando mesmo assim ele não quer, como decidir?

  • há 7 dias
  • 2 min de leitura

Na terceira aula do curso “O que fazer quando ele não quer fazer?”, entramos em um dos pontos mais delicados da prática pedagógica: o que fazer quando já estruturamos a atividade… e mesmo assim o estudante não engaja?


Essa é a situação em que muitos educadores se sentem sem saída e acabam oscilando entre insistir demais ou desistir rápido demais.

Mas a aula trouxe uma resposta mais precisa: não é sobre insistir ou não insistir. É sobre saber decidir.


Nem toda recusa é igual

Um dos conceitos centrais foi a chamada escada da resistência.

Nem toda recusa tem o mesmo peso e tratar todas da mesma forma é um erro .


Na prática, a resistência pode aparecer em diferentes níveis:

  • Leve: o estudante ainda está disponível para aprender

  • Moderada: começa a evitar, mas ainda há possibilidade de intervenção

  • Intensa: há desorganização e perda de controle


E aqui vem a virada de chave: quanto maior a resistência, menor deve ser a exigência.


Insistir pode ajudar… ou piorar tudo

Outro ponto forte da aula foi desmistificar a ideia de insistência.

Insistir não é sempre errado. Insistir no momento errado é que é o problema. 


Quando a resistência é leve, insistir pode ser produtivo com apoio, ajustes e redução da tarefa.


Mas quando há sinais de crise, sobrecarga ou desorganização emocional, a prioridade muda completamente:

  • Regulação

  • Segurança

  • Redução de estímulos

Ou seja: quando há sinais de crise, não é hora de ensinar, é hora de cuidar.


Crise não é birra

Esse é um ponto essencial (e muitas vezes mal interpretado na prática).

A aula trouxe uma diferenciação clara:

  • Crise: perda de controle, sobrecarga, não é voluntária

  • Birra: comportamento dirigido, ainda com controle


E aqui vale uma reflexão importante: tratar uma crise como birra pode intensificar ainda mais o comportamento.


Estratégias que constroem permanência

A aula também trouxe um conjunto de estratégias práticas para ajudar o estudante a permanecer na atividade de forma gradual:

  • Aprendizagem sem erro: garantir que o estudante consiga acertar desde o início

  • Reforçamento: valorizar pequenas conquistas, não apenas o resultado final

  • Economia de fichas: tornar o progresso visível e motivador

  • Combinados visuais: deixar claro o “antes e depois”

  • Momentum comportamental: começar pelo fácil para chegar ao difícil


Tudo isso com um objetivo claro: não forçar o estudante, mas aumentar gradualmente sua tolerância à tarefa.


O papel do educador

Talvez o ponto mais importante de toda a aula tenha sido esse: o educando não precisa de enfrentamento. Ele precisa de compreensão e estrutura. 

Isso muda completamente a postura do educador.

Porque, no fim, não estamos lidando com falta de vontade.

Estamos lidando com:

  • Formas diferentes de funcionamento do cérebro

  • Dificuldades reais de processamento

  • Desafios de regulação


E o que fica dessa aula?

Se a aula 1 ensinou a entender, e a aula 2 ensinou a estruturar, a aula 3 ensinou algo ainda mais difícil: decidir com sensibilidade pedagógica.

Saber quando insistir.

Saber quando adaptar.

E, principalmente, saber quando parar.


Seguimos para o próximo encontro, onde vamos consolidar tudo isso na prática.

E se tem algo que essa formação tem mostrado, é que: não é o estudante que precisa mudar sozinho. A forma como ensinamos também precisa evoluir.



 
 
 

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